segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Num entendi, seu Malafaia?


Num entendi, seu Malafaia?



Toda vez que me sento na frente do generoso aparelho de TV da casa de mamãe fico perturbado. Mamãe, é claro, me acha um chato. A simples constatação de ver que um sujeito como Marcelo Resende ainda compartilha, digamos, seus ideais pra qualquer doido que o ouça já me faz xingar alto. Qualquer pontapé datenístico nos “marginais” faz borboletas defecarem em meu estômago.  E dá-lhe insulto pra cima da fonte de entretenimento familiar.

Apesar de chato a família acha divertido. Só me calam, mandando comprar pão ou qualquer tarefa de maior expressão, na hora em que Max está lá nacionalmente agonizando. Acho linda a comoção com a morte do moçoilo. A máxima do supracitado Datenão aqui também vale “Bandido bom é bandido morto”.  Que dizer? No meu caso sempre me vem a dúvida: Falo mal da novela? Discuto ideologia? Faço uma seção à la Laranja mecânica com o documentário Muito Além do cidadão Kane? Clamo aos irmãos Palmeirenses pelo não rebaixamento?! Nunca sei...
Eu confuso no paint.

Só que a vida não é feita só de desafeto e desentendimento. Temos sempre as unanimidades. E o que é Silas Malafaia se não uma unanimidade? O cara parece que ta com a imagem mais manchada que Galvão Bueno, minha gente. Toda vez que ele da as caras ou damos de cara com ele em qualquer passadela rápida de canal, tem-se um frenesi de xingamentos. Eu, sensível que sou, me emociono facilmente de tanto orgulho da minha família. Quanto mais elaborada a injúria melhor.

E, caro leitor, antes que você pense: “Que idiota você umbá, vendo TV só pra vir falar groselha pra gente depois” ou até: “Que família doida se tem rapaz. Povo doido fica xingando a TV! Vai se trata!”, adianto que, sim, você tem toda razão. Mas como diz a sabedoria popular: “Em terra de Saci todo chute é voadora e que se foda a razão!” Acho que era mais ou menos por ai.

Voltando ao objeto pernicioso da croniqueta, Malafaia. Eu particularmente adoro esse cara. Ele tem um poder de interpretação da bíblia que nem Santo Agostinho jamais sonhou. Ele samba na falta de sujeito e de objetividade do texto pra dar o seu show, desvelando preconceitos e agressividades que o próprio Deus sabia que tinha, mas tava fazendo tratamento pra se livrar.
Ta fácil pra ninguém

Em uma de suas sábias intervenções, Silas diz sobre um dos grandes problemas que assolam o homem de bem, o preconceito aos heterossexuais. Não, caro leitor. Você não está presenciando um claro problema de regência. Eu disse “aos” heterossexuais mesmo, não “dos” heterossexuais. Pra essa grande cabeça calva de nosso século, o sofredor não é aquele que apanha, física e moralmente, todos os dias por causa de uma preferência sexual, e sim aquele que da a porrada. É como tirar o chicote da mão do torturador pra evitar uma tendinite.

Fiquemos por aqui pra não tirar matéria de uma próxima croniquinha. Reitero aqui meus agradecimentos ao pastor que une consciências tão díspares. Brigadão, Malafaia. Você faz bem à família brasileira, pelo menos pra minha. 

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