sexta-feira, 12 de julho de 2013

Fascismo

Fascismo?


Convenhamos, fácil num tá. Depois dos recentes acontecimentos juninos, em que a única fogueira pulada era uma catraca e o gás lacrimogêneo fazia chorar mais que “Triste Partida”, não vejo como poderia tá. Confuso? Sim, muitíssimo! Como explicar, depois das pancadas, a sensação de marchar lado a lado de um pessoal que tinha o hino nacional na cabeça e o Rafinha Bastos no coração? Tem que problematizar e controlar a irresistível vontade de julgar. Às vezes escapava um ‘patriota tonto!’? Quando em vez, admito, dava uma escapadela. Imaginávamos o que? Só nossos pares nas ruas, pela estatização imediata dos meios de transporte e pelo fim do capetalismo? Ah vá! Mas tá tranquilo, não se sinta mal de ter gritado ‘coxinha!’ muitas vezes. Você tava certo, só que não muito. Viu só? Confuso!   

Mas firmão. Foi legal ver alguns dos nossos governantes terem uma crise de esquizofrenia repentina. Eles diziam: “Impossível diminuir o preço da passagem!” “Vocês tão fudido da cabeça!? Já aumentamos abaixo da inflação!” Para logo depois: “É, a voz do povo será ouvida. Diminuiremos o preço que tá foda mesmo.” E antes que você, leitor espertalhão, mas nada cauteloso, já esteja inflamado mostrado a linguinha pra tela achando que isso foi pouco, ou que foi a troco de mais imposto, tente compartilhar comigo essa perspectiva: As pessoas estão começando a questionar o lucro das empresas, há cada vez mais aceitação da ideia do passe-livre e tão usando da mais alta tecnologia laser para desintegrar mentiras em pleno jornal da rede globo! Quer mais o que?
Toma!

Mas antes que me trate como um imbecil da objetividade, caro leitor, crente de que sou um otimista inveterado, vamos ao assunto a que essa croniqueta se dedica: O FASCISMO. Assim mesmo, em caixa alta pela atenção que merece. Sei que essa palavra tá mais do que gasta e que seu conceito remete a mais uma meia dúzia de xingamentos bacanas com que merecidamente esculachamos a direita, mas é urgente resgatarmos alguns dos significados perdidos no meio do caminho.

Um rápido flashback histórico. (cuidadosamente parcial)

Alguns sujeitos na Itália do começo do século, cansados com as mazelas que o capitalismo junto à doutrina liberal produzia na sociedade, resolveram chutar o balde.  1- Alguns foram pelo lado material da coisa e buscaram tomar o poder em prol de ideias à época muitíssimo progressistas, colocando o trabalhador como ator principal da história. O patrão era a figura mais detestada e sua queda era primordial para a concretização de suas ideias.  2 - Uma outra rapaziada, mais afeita a ordem, mas ainda assim na mesma situação de merda que a ditadura do patrão propicia(va), resolveu que a culpa tava na corrupção dos antigos valores, esquecidos pelos burgueses sujos. A pátria, a família, a religião e a honra pessoal e coletiva eram a base fundamental desses valores. Pois bem, se a sua opção é a número dois, parabéns! Ganhou um pôster do Mussolini e um beijinho do Luciano Hulk.


Ou junte-se ao pessoal da Grécia. Mas aprenda o gesto da mãozinha primeiro.

E o que tem a ver o camelo com seus carrapatos? Explico. Algumas reações que presenciamos nas ruas não podem ser chamadas de outra coisa senão fascistas. Essa semi-religião mesquinha que prega valores tão antiquados quanto um cavaleiro da idade média, adora quando uma multidão enraivecida queima bandeiras de partido. O fascismo engorda mais ainda quando as reivindicações ficam na base da moralização da política e da generalização. “Somos contra a corrupção!” alguns dizem. Mas quem não é, cara pálida? É capaz de você olhar pro lado e ver o Maluf marchando enroladinho na bandeira do Brasil. Tem que tomar cuidado com isso ai! Essa malfadada ideologia pega de orelhada e dá alvos fáceis, sempre a ser exterminados. Mas continuamos...

Depois que esse ímpeto de ir às ruas acalmou, pudemos ver algumas consequências engraçadas e até patéticas, como a “marcha pela família em cristo contra o comunismo” com seus retumbantes 32 manifestantes ou “ a marcha dos médicos”, que contou com a colaboração de taxistas, que levaram os revoltos pro ato contra a vinda de profissionais de outros países. A globo contou 5 mil manifestantes. Eu contei 47. Cada um desses fatos merece uma análise carinhosa e detida, mas essa num é a intenção agora. Prefiro ficar com os nossos micro-fascismos diários que vem nos estapear todo dia.

Véi! Pare imediatamente de achar massa o fato de um funkeiro ter sido assassinado em pleno palco. É sério. Uma morte não fica mais divertida pelo fato de você ser preconceituoso. E não venha me dizer que ele merece por fazer apologia ao crime! Digamos que o assassinado fosse, sei lá, o vocalista do Rage Against The Machine. O cara critica a polícia e é tão anti-sistema quanto o MC Daleste, mas ele é mais legal por que canta em ingrêis!? Para de ter mente de colonizado!

Tem mais. Por favor, não fique esbravejando contra o “bolsa-esmola”, não defenda a diminuição da maioridade penal, não fique orgulhoso em cantar o hino junto com o Galvão depois que a banda para de tocar, não admire o policial que mata, desencana do Pânico na TV e, principalmente, esqueça aquela piadinha dos “50 centarro” do Zorra Total! Aquilo é rascimo!


Vai dizer que não é?



Desculpe aporrinhá-lo, caro leitor. É essa comichão que não me permite ficar quietinho no meu canto, sendo esse magistral ponta de lança cantado por Jorge Bem. É que tem certas fita que num dá.  São muitas e prometo dar maior atenção pra cada uma delas, mas por enquanto é nóis, “contra os boy, contra o GOE e contra a Ku Klux Klan.”