segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Aí num da!


Aí num dá!




Fiquei muito tempo calado ante as frivolidades da vida. Absoluta inépcia na escrita, longuíssimas ressacas e uma preguiça que mais parece malária existencial são fatores fundamentais pro meu silêncio. Outro fator, talvez o mais determinante; a queda ladeira abaixo do time com mais adeptos entre os moradores da Moca, o sempiverde Palmeiras. Mas isso é passado! Passei um final de semana feliz, entre orgias gastronômicas de macarrão e seu inseparável amigo, o frango, e siestas intermináveis que ultrapassaram facilmente o ciclo de hibernação dos ursos tibetanos mais cansados. Mas, como diz a canção, “Tristeza não tem fim, felicidade sim”.

Ta lá, numa boa


Eis que acordo de tétricos sonhos, combinação explosiva de barriga cheia/caminha fofinha, e percebo estar já no meio da manhã de segunda-feira! Tudo bem, não fosse a vontade de dormir de novo. Mas ta legal, ta firmeza...Limpo os olhos empapados de remela e, como todo homem de bem, (sim, eu acredito no tipo) vou às necessidades do corpo. Dispenso, obviamente, de narrá-las.

Já asseado, bonitinho e cheiroso, sento na frente do intelectualmente generoso aparelho de TV e começo a me deleitar com a programação matinal. Legal como essas coisas parecem muito com um daqueles bolinhos Proustianos. Imediatamente me lembrei do meu pai, coitadinho, me acordando ainda com a barba desgrenhada e preparando meu “lanchinho” do café da manhã. Pão, requeijão, presunto e queijo. Tudo numa combinação colorida e maravilhosa, com um fiozinho desencapado que ia explodir lindamente no microondas! Sim, papai botava tudo no micro e deixava a magia acontecer. Isso tudo ao som dos digníssimos “professores” do tele curso 2000, fonte inesgotável de saber.

Mas é claro que esse não é o objeto dessa desprezível croniqueta. Sem ladainha ou rodeios, vamos ao dito cujo; ou melhor, aos ditos. Ana Maria Braga e o coxinha dos coxinhas, Tiago Leifert. Estavam os dois, felizes e globais no programa da “loira” dissertando livremente sobre as belezas da mais nova criação dos gênios de nossa televisão. O campeonato de futebol feminino em trajes menores. (tradução livre)


Vem me seduzi!

Os dois não escondiam o orgulho ao falar daquela nova maravilha da criatividade televisiva. Imaginem só o brainstorm dos roteiristas/diretores: “Pow, do que o brasileiro mais gosta?” no que responde aquele estagiário/publicitário: “Oh, eu e meus brows gostamos de futebol e de mulher” e vem o roteirista: “Gênio! Bora junta os dois!” E fez-se assim o primeiro campeonato de futebol jogado de langerie.


Às imagens das popozudas se digladiando em campo seguiam-se os comentários oportunos do Louro José e companhia: “Que belo jogo!” ou ainda “Isso é o que eu chamo de pelada”. Fora a vontade de morrer ali mesmo, tive um impulso, controlado apenas pelo sábio que habita o quarto ao lado, de incendiar o aparelho de TV e jogá-lo pela janela, ainda em chamas.

Por que não atirar de verdade? Ele é só um boneco!


Não contente em foder com nossos cérebros há mais de trinta anos, a globo ainda tem espaço pra (re) produzir o que existe de mais machista, misógino, sem noção e Celsorussomanesco nos limites da classe média paulistana. Ta de brincadeira!

Ai vem o leitor mais indignado e pergunta: “Qualé umbabarauma, tu num gosta de mulher não?” Porra! Que tem a ver o cu com as calça? Ao afirmar meu gosto pelas mulheres eu preciso repor a série de preconceitos que orbitam a imagem feminina contribuindo ainda mais pra sua situação de subjugada, ante ao macho dominante e espadaúdo? Vai te cata!

Ai me vem um mais equilibradinho: “Verdade Umbá, imagina se uma delas fosse nossa mãe ou, sei lá, nossa filha?” Cate-se você também com o leitor de cima! Precisamos levar tudo pro âmbito pessoal e familiar pra perceber que devemos respeitar? Que eu saiba, respeitar o outro é um procedimento que ta pra além da proximidade que temos com o sujeito. A não ser que você trate esse sujeito como carne, mero objeto pra ser exposto numa vitrine, bem ao lado do carrão da moda e do time do coração.

E pra quem acha que toda crítica deve vir acompanhada de uma proposição, (seus chatos), proponho um novo movimento ludista, em pleno séc. XXI. Ao invés de queimarmos as máquinas (assunto pra outra cronicazinha) queimemos todos os nossos aparelhos de TV e, aproveitando que a fogueira vai ta forte, joguemos todos os IPhones e afins (objetos de ódio antigo) pra queimarem juntos. A não ser que você o esteja usando pra ler esse mísero Blog. Aí não, deixa pra outra hora.