quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Uma épica sobre rodas


Uma épica sobre rodas



“É muita treta, vish!” o tempo que passamos balançando nossa mal tratada carcaça nos busões Kassabianos da vida. A maioria que habita a amada paulicéia fica mais com os estranhos que compartilham essa falta de espaço, do que com a própria família no aconchego do lar. Mais um daqueles tipos de desumanidades gostosas que só o paulistano é capaz de engolir no dia-a-dia. É nóis!

O ônibus é, sem sombra de dúvida, o lugar mais egoísta e malacabado desse mundo. A arte de desrespeitar o espaço/direito alheio é exercitada ali com requintes de crueldade. Se você é idoso, você sabe do que eu estou falando. Se você é do tipo que não curte funk, você sabe do que eu estou falando. Se você está simplesmente acima do peso você sabe muito bem do que estou falando. Mas não entremos em maiores detalhes...


Não há herói que resista a essa fatalidade Ulyssiana; do mitológico ao moderno. Aquiles seria mais um contínuo de pés velozes. Batman redefiniria seu conceito de trevas e pediria gentilmente pra nunca mais ser tratado pelo famoso apelido. Não há lugar pra fracos; nem pra fortes. Não há lugar pra ninguém...

Foto real do cotidiano de um ônibus com destino Grajaú

Feita a descrição, vamos aos fatos. Em mais um desses dias deliciosos em que nosso transporte público não ta pra principiantes, estava eu com meus fones de ouvido (sim, a grande salvação/desgraça do homem moderno) ouvindo as progressões harmônicas da voz aveludada de um dos nossos mais prodigiosos/brega cantores da música brasileira, Oswaldo Montenegro, e eis que começa um burburinho.

As pessoas estavam começando a interagir umas com as outras! Umas falavam e outras, fatalmente, respondiam. Uma garota espavorida estava sentada no meio do chão do ônibus e os outros (pasmem) a ajudavam. O que seria aquilo? Obra de macumbaria? Não soube de imediato, pois “bandolins” acabara de me deixar em estado de êxtase. A contragosto tirei os fones...
Continuei intrigado. Não sabia ao certo o que estava acontecendo. Pensei nos motivos mais nobres possíveis pra tal comoção. Será que tinha alguém passando mal? Será que esse alguém era a moça? Será que o amor acabava de abandonar o coração desta mulher que agora, em prantos, recebia a ajuda dos concidadãos?  Mãos pendiam com celulares nas mãos, de prontidão para ajudar no que fosse necessário. Foi ai que comecei a entender. Era um Iphone.

Percebi que a mulher sentada no chão na verdade procurava ferozmente seu celular dentro da bolsa. “Não vi direito o que aconteceu. Não sei se caiu ou se roubaram!” E o motorista ali, arranca não arranca com o carro. Todos estavam extremamente envolvidos com a situação. Já falei dos celulares? Sim, eram muitos os que apareciam pra que a mulher fizesse aquela ligação salvadora. De nada adiantou. O motorista tinha que cumprir seu itinerário e levar todas aquelas almas pros seus destinos. Silêncio de morte...

“Ainda bem que coloquei o aparelho no seguro semana passada”

Ufa! Todos exclamaram em uníssono. Eis que a precaução a salvou de males piores. Eis que a Apple nos ensina que existe sim amor em SP.


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A importância do desimportante


A importância do desimportante


Tanta coisa rolando e “nóis aqui no veneno”. Lá na gringa o arauto das patacoadas dos governos DEMOcráticos, sofre pra se refugiar embaixo de teto equatoriano. A mídia rosna: “Estuprador!” Obama, espumando: “Espião/Pedófilo!” E o Assange lá, rindo da parvonice alheia.

Aqui bem pertinho, debaixo das vistas do Cristo que de redentor não tem nada, uma eleição histórica acontece. De um lado o POgresso, na figura do boa pinta esquizofrênico (Sim. Ele já esteve no PV, no PFL, no PSDB e agora no PMDB) Eduardinho Paes. Do outro Marcelo Freixo, o candidato legal, bem intencionado, de retórica ciceroniana com algumas pitadas de açúcar, tempero e tudo que há de bom. Um fofo!

Ventos sopram nos meus ouvidos que TODAS as Universidades Federais estão em greve. Sim, todas. Professor mal pago quer aumento. Funcionário mais mal pago quer aumento. Aluno fudido quer se fuder menos. Mas nada cheira mal no reino da Dinamarca. Aliás, cheira sim. A relação entre o técnico Tite e o craque Neymar está uma bosta.


Sim; durante meus sagrados minutos diante do glorioso aparelho de TV, a única coisa que chamou atenção entre mortos e feridos (uhum) foi a saudável briguinha entre o   técnico com mais chavões de auto-ajuda desse sistema solar e o nosso simpático amigo do cabelo de calopsita.

o neymar

a calopsita


Não, caro leitor. Não caia nessa baboseira de: “E o que é que você queria? Futebol é o ópio do povo” Não! Isso é conversa pra muitos bois dormirem. Essa fatalidade é tão importante quanto à saga do bródi da wikleaks ou da, por alguns declamada, “primavera carioca”. Eu explico.

Neymar, encantador de encantos, (Sejamos piegas pra elogiar um gênio!) está cansado de ser perseguido. E com razão. O cara sofre mais que aposentado na fila do INSS e tem que aturar brucutu fazendo poker face toda vez que ele dá um chapéu ou uma caneta? Tenha dó! E o Tite ainda diz que o menino tem que aprender a dar bons exemplos aos seus filhos. Como diz o mestre: “Mais um idiota da objetividade”.

O que esse neologista do ludopédio nos propõe? Mais treinabilidade e menos felicidade? Mais trabalho em equipe e “feedbacks” e menos Romários? Que é isso, companheiro? Deixa essa marra pra lá! Não me venha com essa verborragia empresarística pra cima da nossa paixão. “Sem paixão não se chupa nem um picolé!” pra ficar no bom velinho reacionário novamente.

Essa ladainha ta tomando conta do mundo todo! Isso é o politicamente correto... Não falo das justas reações dos que, ofendidos por piadinhas rafinhabastianas, se rebelam de N maneiras por ai. Digo dessa crosta de democracia/demagogia/não me toques/ que não deixa um raio de sol sequer entrar nos coraçõezinhos metropolitanos. O técnico gaúcho é um exemplo cabal dessa pasmaceira.

Que fique claro: Não estou aqui dizendo que, pra sermos felizes temos que ser desleais e cuspir na cara do amiguinho; só to dizendo que estamos ficando cada vez mais chochos...”O fulano pode driblar, mas não pode provocar.” “O sicrano pode fazer graça, mas vai levar patada.” Vai-te catar!  Deixa o cara samba e assume a sua mediocridade!

Apagamos nossa vontade na necessidade de pendurarmos no saco do outro. Ter posição e ser agudo, no drible ou na crítica, tornou-se qualquer coisa ultrapassada. Ficamos assim nesse limbo da chatice e da caretice. “Não vai pra cima deles que é feio” “Não defenda opiniões radicais que é bobo”.  Que merda!


Vai Neymar! Vai Assange!